Lembro de uma vez em que Leandro arrumou uma namoradinha, ela era tão magra quanto ele, eu sempre contava os ossos da costela dela quando ia entregar os bilhetinhos e presentinhos cortejantes que meu irmão mandava. Eles tinham a mesma idade só no papel, ele já percebia mais o mundo, enxergava mais longe. Ganhava na experiência também, havia beijado todas as vizinhas, porém com essa Mariana era diferente, ele prolongou mais, suspeito eu que o motivo era a curiosidade. Ele era curioso pela pureza dela e ela pela malícia dele.
Eu sempre quis saber o que ele falava para tirar tantos sorrisos daquela menina, devia existir estratégia naquilo, Leandro sempre traçou planos para tudo. Pensando bem, talvez não fosse o caso, parecia embalado de naturalidade e sem cartas na manga, definitivamente desarmado.
Os amigos percebiam a diferença, o seu fim de tarde já não era para empinar pipa, não eram mais os seus chinelos remendados que serviam como a trave do gol e nada de comparecer as reuniões do grupinho da rua, a liderança do grupo não interessava e ser capitão agora só do coração da Mariana. Sua ausência para os meninos era sinônimo de presença para a sua menina.
Os dois apaixonados de pouca idade esqueciam da hora, ela preocupava a mãe e ele se atrasava pro jantar. Caminhavam sem perceber quantos passos na areia deixavam para trás, as canelas só lembravam de doer à noitinha e então lembravam um do outro, das mãos dadas timidamente e das caminhadas sem destino que eram úteis para a coleção de conchas que estavam fazendo juntos, já compartilhavam muita coisa, pretendiam construir castelos de areia impecáveis e pescar peixes coloridos para nomear e exibir aos outros.
O que sei do término desse amor de infância é que Leandro voltou a liderar o grupo, a ser capitão do time e ter as pipas mais bonitas. As coleções foram pro lixo e Mariana demorou mais que Leandro para se aventurar em outro namoro.
Bruna Rodrigues
Nenhum comentário:
Postar um comentário