Meus olhos estão cansados, é madrugada, a garrafa de água já secou e a cozinha me parece agora o lugar mais longe da Terra. Eu estou escrevendo o que ninguém vai ler, mas essas palavras chegam na ponta da língua e imploram para serem expulsas, viram registro.
Eu venho falar da saudade, essa tem sido tão recorrente. É um alerta que o tempo passou e está passando, e, bem, quem disse que o mundo pede licença para girar?
Tantas pessoas já passaram na minha vida, passei por tantas situações, volta e meia me vem uma lembrança fora de contexto na cabeça, algumas me dão vontade de voltar e corrigir, outras me fazem rir sozinha.
Muita gente fala de querer viver tudo outra vez, eu não, não é disso que eu estou falando, pelo contrário, eu quero viver coisas novas, o que acontece é que pela primeira vez percebo minhas lembranças de modo racional, as lembranças não são racionais, elas chegam espontaneamente, o racional é que agora eu enxergo o que de fato aconteceu e não o que a garota iludida achava que estava acontecendo.
Bruna Rodrigues
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