sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Viagem rumo ao Oriente

  Outras culturas, outras línguas me chamam atenção. Olhar outro povo com suas universalidades e seus exotismos é expandir a nossa concepção sobre o ser humano e sobre nossa vida, nossas opções de vida. E foi com curiosidade que me diverti ao ler “Abc do Mundo Árabe”, livro da literatura infanto-juvenil escrito por Paulo Daniel Farah professor da USP onde dirige o Centro de Estudos Árabes, as ilustrações ficaram a cargo de Alê Abreu e são magníficas, fiquei contemplando por um bom tempo.
  O livro avança de acordo com nosso alfabeto, utilizando cada letra para descrever algum elemento do mundo árabe, começa pelo A com o conceito de árabe e vai indo até o Z, com assuntos primordiais como religião, países, culinária, petróleo, animais e etc, o que foi me inteirando dessa cultura oriental tão rica. Com isso, foi muito interessante mesmo o livro sendo destinado para leitores de faixa etária inferior a minha, sendo como uma apresentação de primeira qualidade a esse universo que eu pouco conhecia.

  Pesquisando aqui na internet tive uma agradável surpresa ao ver que a mesma editora desse livro, SM, também lançou “Abc do Mundo Africano” e “Abc do Mundo Judaico”, e trago aqui do site da livraria Grafipel dois fragmentos do prefácio do “Abc Mundo Judaico” escrito pelo bibliófilo José Mindlin, vejam:

“Este ABC vai mostrar a vocês a tradição de um povo que tem perto de 6 mil anos e de uma religião com a mesma idade. Nesse tempo foi-se desenvolvendo uma cultura bastante variada, que se apóia no gosto pelos livros e pela leitura. Fala-se até dos judeus como o "povo do livro""


"Depois de ler este livro, leia também o ABC do mundo árabe. Na briga entre judeus e árabes da Palestina, os dois têm razão e os dois estão errados, brigando como agora. Espero que, após a leitura, vocês percebam o que está errado e se convençam de que todos os povos do mundo devem viver em paz."

  Aproveito a deixa, paz pro mundo! السلام في العالم


                                                                       Bruna Rodrigues

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Como não falar da Cássia Eller?

  Não é suficiente. É o que adianto para o leitor, pois nada que eu fale será suficiente. É a Cássia, a “voz de fogo” como intitula um livro que conta a trajetória da cantora.
  A genialidade de Cássia Eller me atinge em cheio, por sua voz indescritível com seu repertório rico (muito rico, Renato Russo, Chico Buarque, Jimi Hendrix, Rita Lee e outros) e sua atitude rock n’ roll, a cantora que tirava a blusa e “coçava o saco” no palco era tímida, como mostra numa rara entrevista dada a Leda Nagle (programa Sem Censura), e rara mesmo, pois a própria conta que “não gosto de vender a cara, gosto só de fazer show”, o que mostra a arte no seu sentido verdadeiro da palavra, Cássia não é comercial, e o desprendimento no palco vem do se sentir em casa por fazer o que gosta., e não por marketing como muitos que vemos. A cantora vista fora do cenário profissional continua a inspirar admiração, mostra inteligência, personalidade e modéstia.
  Foi 2001 - ano de seu falecimento - o mais produtivo de sua carreira em que lançou seu Acústico Mtv venerado por todos nós, participou do Rock in Rio, lotou como nunca os shows, tocou como nunca nas rádios. É muito inquietante saber que a Cássia Eller planejava um novo cd e falava com compositores, já que não exteriorizava as suas composições. Imaginem as próximas parcerias com Nando Reis e tudo mais?
  Enfim, eternizou porque ela é fera, bixo, anjo e mulher!  
 

"Sou mulher, sou pobre, sapatão, mãe solteira, preencho todas as lacunas. Tem de saber lidar com o preconceito" (Maio de 2001)
"Acho ótimo a pirataria, acho 'o bicho'. O cara não tem dinheiro, nem nada. Vai ficar sem ouvir música?" (Maio de 2001)
"O que mais me preocupo na educação de meu filho é ensiná-lo a respeitar as coisas" (Maio de 2001)
"Sou a favor de toda música espontânea, que não foi criada por gravadoras", diz Cássia, apoiando o funk carioca (Maio de 2001)


                                                                        Bruna Rodrigues 

domingo, 15 de agosto de 2010

Nasceu com a bunda virada para lua

  Começar o segundo post tem um pouco de “síndrome do segundo disco”, é a expectativa de dar sequência mas sem o ineditismo, é ver se o replay vale a tentativa.
  Mas seguindo ao inevitável, venho a questionar: sorte existe?
  Assisti mais uma vez um filme que gosto muito chamado “Match Point – Ponto Final”, o drama do ano de 2005 é dirigido e escrito pelo mestre Woody Allen e estrelado com maestria por Scarlett Johansson e o irlandês Jonathan Rhys Meyers, a base da história é a influência da sorte em nosso destino o que é evidenciado desde a primeira frase do filme: "O homem que afirmou que é mais importante ter sorte que trabalhar duro entendeu o sentido da vida". Por ser um excelente filme, além da sorte que é o lema principal, cabem também discussões sobre diversos outros assuntos como ascensão social, ambição, traição e referência ao clássico "Crime e Castigo" de Dostoiévski. É um dos meus filmes prediletos e com uma das minhas atrizes prediletas (Scarlett Johansson).

  Outro filme que faz alusão sobre o tema - só que de uma maneira lúdica - é “Just My Luck - Sorte no amor” uma comédia de 2006 dirigida por Donald Petrie e protagonizada por Lindsay Lohan que é a sortuda e Chris Pine o azarado, depois que os dois se beijam isso é invertido e os personagens têm suas vidas totalmente modificadas pela sorte e o azar.
  Eu acho superstição bobagem mas não passo embaixo de escada, não dou minha mão pra ninguém ler mas também não tenho coragem de ouvir, vai saber né?
  Já ouvi gente vivida dizendo que tudo na vida é sorte, isso só me ocorre à cabeça quando vejo ator de teatro multitalentoso que não tem nem metade do reconhecimento do público que  tal ex modelo de novela tem, ou aquela cantora que compõe e é instrumentista que vende menos do que aquela outra que tem refrões enjoativos.
  Quando se vai ficando muito racional é bom lembrar que a vida não é de toda explicada, que a teoria perde para prática. Percebi que ás vezes nos acomodamos achando que a vida é óbvia, mas ela sempre surpreende. E então se faz tão sábia a famosa frase “Deus escreve certo por linhas tortas”.
  Creio que oportunidades são importantes, mas antes de tudo elas são criadas por nós mesmos e sabermos utilizá-las na hora e de forma certa é a chave.
  Termino como comecei, deixo a cargo do leitor responder: sorte existe? 


                                                                          Bruna Rodrigues

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Começando pelo começo

  Eu fico tão feliz quando alguém que tem realmente algo a dizer cria um blog, porque hoje os criadores de blog na sua grande maioria não são os que tem algo a acrescentar mas sim aqueles que tem  tempo de sobra, disposição e paciência para manter esse diário virtual. É a parte negativa – se existir parte negativa – da inclusão digital.
  Normalmente, quem cria uma página como essa é aquela pessoa que está presente em todas as redes sociais e variações (orkut, twitter, facebook, fotolog, formspring e etc), e eu não estou inclusa nessa realidade, eu sempre sou a última a criar perfil em rede social e, até pouco tempo atrás, achava entediavelmente(?) inútil porque eu só tinha visitado twitters que não saiam do “contar como foi seu dia” e eu ficava me perguntando por qual razão era legal falar que estava almoçando, que ia dormir ou aquelas páginas igualmente chatas que só divulgam coisas, e essa minha impressão mudou depois que eu comecei a ler twitters interessantes que davam opiniões, que tinham citações relevantes. Com os blogs foi semelhante, comecei a descobrir blogueiros que tinham dicas a dar, que falavam de arte e o blog tinha uma aparência agradável para uma boa leitura, por mais curtos que os textos da internet tenham que ser até que estrategicamente para atrair o internauta.
  E ultimamente tem me dado uma súbita vontade de criar um blog no intuito de mostrar ao outro o que eu tenho a dizer, mais um motivo é não achar blogs descentes para ler. Por mais que eu sempre tenha tido a necessidade de escrever (no papel) eu nunca quis um blog por razõe que são, por exemplo, não me matar com divulgação de blog ou de qualquer outra coisa, no máximo vou colocar o link no meu perfil pessoal e comentar com alguns amigos, e o mais assustador (para mim) que é o fato de ter que atualizar sempre, logo eu que mal atualizo os meus perfis pessoais, aliás no meu orkut tenho uma comunidade chamada “Escritores que não escrevem”, eu acabo de me desclassificar da mesma.
  Essa continuidade de ter que atualizar sempre faz soar aos meus ouvidos como obrigação, e obrigação é a coisa que mais me pira no mundo (isso será comentado em outros posts). Mas então, o que me faz criar um blog agora? E pior, em ano de vestibular?
  É que eu sou muito curiosa, mergulho em pesquisas intermináveis e acaba que descubro algo novo todos os dias, e me dá meio que uma vontade de compartilhar, um sentimento de colocar para  fora. E é empolgante postar o que eu procuro em outros blogs e não acho, ás vezes a leitura de um blog fica sendo apenas um exercício mental de corrigir erros ortográficos do texto de alguém, que a gente tenta de um modo otimista achar que foi erro de digitação.

                                                                             Bruna Rodrigues