Nesse final de semana assisti alguns filmes;
O primeiro: atores de peso para segurar a falta de qualidade do filme, que era confuso e desprovido de cenas que causassem algum tipo de emoção.
Segundo: um típico “sessão da tarde”, atores bonitos e muito clichê, com roteiro previsível e mocinha com doença fatal.
Terceiro: comédia que cumpriu sua missão de garantir muitas risadas e que me chamou a atenção pela protagonista amar sua profissão, amar o que se faz tem a vantagem de se divertir ao fazer.
O quarto e último filme é o que me trouxe até aqui, se chama “As Melhores Coisas do Mundo” embalado por Something dos Beatles e dirigido por Laís Bodanzky (O Bicho de Sete Cabeças), a temática é a adolescência que é tão debatida e rotulada: juventude perdida, aborrecentes, rebelde sem causa e etc. Com isso, poderia ser mais uma tentativa estereotipada de contar a história, mas NÃO é. Contrariando o que podia se esperar, o filme traz intimidade com o assunto, é o cotidiano, a linguagem e o universo da minha geração, demonstrando que houve muita pesquisa (confira também o making of) e real interesse em retratar o que é a vida do adolescente e não o que rotulam ser.
Muito se deve a essa preocupação dos criadores, o filme me atingiu e foi mais do que entretenimento. Eu pude me ver, tanto que passei o resto da madrugada me questionando: quem sou eu?
Mas, quem sou eu de verdade, e não quem eu quero que eu seja.
Confesso, antes de chegar à adolescência eu achei que era mais fácil, aliás, olhar de fora sempre vai ser impreciso por mais perto que você chegue. Os rótulos são apenas rótulos porque foram criados por quem estava de fora, definir a fase da adolescência é inútil, mas instabilidade eu diria que é o começo da definição.
Eu me sinto como uma balança que sempre pende de súbito para um lado ou para o outro; de total êxtase para total fracasso, sem meio termo. E o tempo me mostrou que os excessos pecam. Nós somos um misto, somos paradoxos. Sem santas sem diabos, temos lado bom e mau, qualidades e defeitos, vícios e virtudes, o equilíbrio é necessário.
Quem sou eu?
Além das besteiras que como, da acne que tenho, das gírias que falo, do cabelo que uso, das roupas que escolho, das bandas que escuto, do grupo que faço parte.
Insegurança seria outra coluna da definição, ás vezes me sinto tão integrante e outras tão exclusa. A gente precisa se sentir parte do mundo, útil pro mundo.
Há no filme mais de uma fase da adolescência, temos a fase dos 15 anos que é do protagonista Mano (Francisco Miguez) e a de seu irmão Pedro (Fiuk) de 17 anos. Eu me convenci que a adolescência é um tópico com subtópicos que são as idades, é como se eu tivesse tido a adolescência dos 15 anos que foi diferente dos 16 e que é totalmente diferente aos 17. A idade muda e não são só velas para apagar, mudam os problemas e o modo de encarar a vida, as situações, as pessoas e de como encarar a si próprio; tudo isso em cerca de um ano, é tudo muito rápido.
Entre outras coisas, o personagem Pedro de 17 anos me chama muita atenção, ele mostra meu lado melancólico, dependente dos outros, intenso e poético. No decorrer do filme ele escreve em seu blog “Girassóis no Escuro” passagens belas e intimistas, e sua vida é salva quando deixa a entender em um post que tentará suicídio.
O que estou discutindo aqui, eu sei, são questionamentos a serem carregados filosoficamente pela vida inteira, independente da faixa etária, mas pense nisso mil vezes intensificado e em pessoas que estão em processo de formação de personalidade, caráter e tudo mais que seria o alicerce para manter a integridade perante essas buscas, o que justifica ser mais dramático.
Nós temos mania de esperar do mais provável, mas ás vezes, é uma frase pichada no muro, uma conversa que você não ia ouvir até o final, um papel que você não ia pegar, uma página que você ia pular que muda o seu dia. O relevante é como se olha e não o que se olha. É importante dar atenção ao que merece, esse ano pude perceber que é preciso ter prioridades na vida.
Isso tudo é matéria para várias madrugadas, anos e posts, sendo assim, é um texto em constante complemento.
Bruna Rodrigues