terça-feira, 30 de novembro de 2010

O que se encontra atrás da capa

Ela tem tudo que o dinheiro pode dar
E se senti sozinha com pessoas ao redor
Fingi sorrisos durante toda a noite
Sua máscara começa a pesar
Os holofotes a cegam

Desconta os traumas em ousadia
Garante uma platéia de alienados
Que fantasiam perfeição
Mas ela está abaixo de qualquer suspeita
Eles nunca vão saber

Tem desenvoltura com o falso
Mas percebeu que quer pessoas de carne e osso
As quais nunca quis se relacionar
Quando apareceu nem retribuiu
Até quando vai repelir a realidade?

Ninguém te conhece, a quem você vai recorrer?
Sua esperança em farelos
Na inutilidade que segue seu desfile
Não suporta mais o vazio que carrega
É preciso da verdade na vida

                                                                       Bruna Rodrigues

sábado, 27 de novembro de 2010

Pouca luz, olhos e minutos

  Como tantas vezes fiz, me deu vontade de entrar no seu quarto sem bater, deitar do seu lado e te perguntar como você consegue assistir canais de compra. Aquele quarto que é onde você se isola depois de todo um dia em que se manteve forte para o nosso bem. Só a luz da TV, chinelos no tapete, vestida com robe e de feição séria. Sem pestanejar eu olhava aquele rosto de pele seca, pouca sobrancelha e olhos de quem está longe. Eram aqueles minutos que eu te admirava que valiam por todos os dias da semana que a pressa me impediu de te tocar. A geografia já não me permite ter esses minutos, basta a certeza de que você está bem. É vital saber disso quando se trata da pessoa mais importante da minha vida e da mais incrível que eu conheço.

                                                                                 Bruna Rodrigues

#tira 3 - Garfield

#tira 2 - Mafalda

#tira 1 - Calvin&Haroldo

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Comemoração 25 Anos de Calvin&Haroldo



  São 25 anos de Calvin&Haroldo, criação do americano Bill Watterson, e eu como fã não poderia deixar passar em branco.
  Através do desenho e de poucas palavras esse universo se apresenta inteligente, transgressor, e claro, divertido. É a ironia e a crítica social que também aparecem na minha HQ preferida , a Mafalda de Quino, esses cartunistas usam da “ingenuidade” dos personagens de pouca idade para desafiar os equívocos do mundo adulto.
  Nos próximos posts mais Calvin&Haroldo e outros cartunistas de qualidade para nosso deleite. Abaixo primeira tirinha publicada da dupla!



                                                                                                     Bruna Rodrigues

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Último fôlego de um pulsar dilacerado

  Desde então fiquei em desvantagem, numa insensatez de dar dó eu me sentia criança precisando de colo e apelando por afago. Orgulho que bem pouco um dia tive, nesse tempo já tinha perdido, prazer era servir de tapete e ser carrasco por completo. Viam-me como inferiorizada, tentavam inutilmente me alertar de um coma que eu não sairia ilesa, mas que não era capaz de me dar conta por conselhos alheios, desse devaneio eu só sairia por vontade própria, não sem arranhões. Foi inteiro, mente e corpo, sem peneira no sol e nem tela de proteção, deixei ir ladeira abaixo sem freios. Eu me arrisquei e pago agora cada passo em falso que dei. Bem melhor seria se pudéssemos passar por essa vida sem processos dilaceradores, contudo, de que vale uma vida que não se tira lições?
  É preciso calejar. Sem facilidades demais, eu quero sentir o doce e o amargo de estar viva.
                    
                                                                           Bruna Rodrigues

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Inversão - Onde está o teto? Onde está o chão?

O mundo anda tão solitário
E eu não sei a hora certa de parar
O mundo anda tão indiferente
Respeito virou medida de educação
Amor entrou em extinção
Levando consigo a lealdade
O mundo anda tão instantâneo
Desde o macarrão até as relações
Contudo, não acreditamos na nossa espécie
Optamos viver falando com objetos inertes
Percebendo essa inversão
Tirou dos olhos o cifrão
E distinguiu o que era verdade
Enlatados, embrulhados
Sem rumo e sem razão
Induzido pelo erro
Caminhando na contramão
Por motivos para não viver em paz

Bruna Rodrigues


segunda-feira, 1 de novembro de 2010

São fases da vida e da lua

 
  Nesse final de semana assisti alguns filmes;
  O primeiro: atores de peso para segurar a falta de qualidade do filme, que era confuso e desprovido de cenas que causassem algum tipo de emoção.
  Segundo: um típico “sessão da tarde”, atores bonitos e muito clichê, com roteiro previsível e mocinha com doença fatal.
  Terceiro: comédia que cumpriu sua missão de garantir muitas risadas e que me chamou a atenção pela protagonista amar sua profissão, amar o que se faz tem a vantagem de se divertir ao fazer.
  O quarto e último filme é o que me trouxe até aqui, se chama “As Melhores Coisas do Mundo” embalado por Something dos Beatles e dirigido por Laís Bodanzky (O Bicho de Sete Cabeças), a temática é a adolescência que é tão debatida e rotulada: juventude perdida, aborrecentes, rebelde sem causa e etc. Com isso, poderia ser mais uma tentativa estereotipada de contar a história, mas NÃO é. Contrariando o que podia se esperar, o filme traz intimidade com o assunto, é o cotidiano, a linguagem e o universo da minha geração, demonstrando que houve muita pesquisa (confira também o making of) e real interesse em retratar o que é a vida do adolescente e não o que rotulam ser.
  Muito se deve a essa preocupação dos criadores, o filme me atingiu e foi mais do que entretenimento. Eu pude me ver, tanto que passei o resto da madrugada me questionando: quem sou eu?
  Mas, quem sou eu de verdade, e não quem eu quero que eu seja.
  Confesso, antes de chegar à adolescência eu achei que era mais fácil, aliás, olhar de fora sempre vai ser impreciso por mais perto que você chegue. Os rótulos são apenas rótulos porque foram criados por quem estava de fora, definir a fase da adolescência é inútil, mas instabilidade eu diria que é o começo da definição.
  Eu me sinto como uma balança que sempre pende de súbito para um lado ou para o outro; de total êxtase para total fracasso, sem meio termo. E  o tempo me mostrou que os excessos pecam. Nós somos um misto, somos paradoxos. Sem santas sem diabos, temos lado bom e mau, qualidades e defeitos, vícios e virtudes, o equilíbrio é necessário.
  Quem sou eu?
  Além das besteiras que como, da acne que tenho, das gírias que falo, do cabelo que uso, das roupas que escolho, das bandas que escuto, do grupo que faço parte.
  Insegurança seria outra coluna da definição, ás vezes me sinto tão integrante e outras tão exclusa. A gente precisa se sentir parte do mundo, útil pro mundo.
  Há no filme mais de uma fase da adolescência, temos a fase dos 15 anos que é do protagonista Mano (Francisco Miguez) e a de seu irmão Pedro (Fiuk) de 17 anos. Eu me convenci que a adolescência é um tópico com subtópicos que são as idades, é como se eu tivesse tido a adolescência dos 15 anos que foi diferente dos 16 e que é totalmente diferente aos 17. A idade muda e não são só velas para apagar, mudam os problemas e o modo de encarar a vida, as situações, as pessoas e de como encarar a si próprio; tudo isso em cerca de um ano, é tudo muito rápido.
  Entre outras coisas, o personagem Pedro de 17 anos me chama muita atenção, ele mostra meu lado melancólico, dependente dos outros, intenso e poético. No decorrer do filme ele escreve em seu blog “Girassóis no Escuro” passagens belas e intimistas, e sua vida é salva quando deixa a entender em um post que tentará suicídio.
  O que estou discutindo aqui, eu sei, são questionamentos a serem carregados filosoficamente pela vida inteira, independente da faixa etária, mas pense nisso mil vezes intensificado e em pessoas que estão em processo de formação de personalidade, caráter e tudo mais que seria o alicerce para manter a integridade perante essas buscas, o que justifica ser mais dramático.
  Nós temos mania de esperar do mais provável, mas ás vezes, é uma frase pichada no muro, uma conversa que você não ia ouvir até o final, um papel que você não ia pegar, uma página que você ia pular que muda o seu dia. O relevante é como se olha e não o que se olha. É importante dar atenção ao que merece, esse ano pude perceber que é preciso ter prioridades na vida.
  Isso tudo é matéria para várias madrugadas, anos e posts, sendo assim, é um texto em constante complemento.

                                                                                   Bruna Rodrigues