Desde então fiquei em desvantagem, numa insensatez de dar dó eu me sentia criança precisando de colo e apelando por afago. Orgulho que bem pouco um dia tive, nesse tempo já tinha perdido, prazer era servir de tapete e ser carrasco por completo. Viam-me como inferiorizada, tentavam inutilmente me alertar de um coma que eu não sairia ilesa, mas que não era capaz de me dar conta por conselhos alheios, desse devaneio eu só sairia por vontade própria, não sem arranhões. Foi inteiro, mente e corpo, sem peneira no sol e nem tela de proteção, deixei ir ladeira abaixo sem freios. Eu me arrisquei e pago agora cada passo em falso que dei. Bem melhor seria se pudéssemos passar por essa vida sem processos dilaceradores, contudo, de que vale uma vida que não se tira lições?
É preciso calejar. Sem facilidades demais, eu quero sentir o doce e o amargo de estar viva.
Bruna Rodrigues
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