sábado, 17 de dezembro de 2011
Aconteceu
Acontece que você vai escrever melhor quando não pensar
em como vai ficar o texto, as maiores façanhas surgem quando ser bom
não era importante, meus melhores textos eu não tomei nota, minhas
melhores músicas ficaram no chuveiro. Como nada programado dá certo - me
perdoem os organizados – foi um acidente.
5 sentidos e palavras-chave
Audição: voz e violão. Não quero nada elétrico, peço o
som original. Vibração de cordas. Paladar: enchi a boca. Não aqueça,
como frio. Sem ondas, sem gás. Visão: sem vultos. E, ao mesmo tempo, da
cor que eu quiser que seja. Hipocrisia é manipular o campo de visão. Eu
quero enxergar mais, por mais tempo. Tato: macio e áspero. Que me toque.
Que eu possa sentir. Que ainda haja sensibilidade. Olfato: exale a
essência. Que não seja camuflado. O cheiro que marcou. Respira e
Inspira. Inspiração.
Bruna Rodrigues
sexta-feira, 29 de abril de 2011
madrugada - saudade - lembranças
Meus olhos estão cansados, é madrugada, a garrafa de água já secou e a cozinha me parece agora o lugar mais longe da Terra. Eu estou escrevendo o que ninguém vai ler, mas essas palavras chegam na ponta da língua e imploram para serem expulsas, viram registro.
Eu venho falar da saudade, essa tem sido tão recorrente. É um alerta que o tempo passou e está passando, e, bem, quem disse que o mundo pede licença para girar?
Tantas pessoas já passaram na minha vida, passei por tantas situações, volta e meia me vem uma lembrança fora de contexto na cabeça, algumas me dão vontade de voltar e corrigir, outras me fazem rir sozinha.
Muita gente fala de querer viver tudo outra vez, eu não, não é disso que eu estou falando, pelo contrário, eu quero viver coisas novas, o que acontece é que pela primeira vez percebo minhas lembranças de modo racional, as lembranças não são racionais, elas chegam espontaneamente, o racional é que agora eu enxergo o que de fato aconteceu e não o que a garota iludida achava que estava acontecendo.
Bruna Rodrigues
Somos tão diferentes e isso nunca interfiriu no amor que eu sinto por você, miss you
O seu jeito de ser feliz é tão diferente do meu. Eu não seria feliz pelos motivos que você é. Eu sempre fui tão incompreensiva com seus gostos e a maneira generosa com a qual você sempre lidou com isso me faz lembrar de todas as suas qualidades. Se você estiver feliz tudo bem, é o que importa, mas sei lá né.
Bruna Rodrigues
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
Eu até poderia falar...
Eu poderia falar dos otimistas
Mas os pessimistas me convencem mais
A luz no fim do túnel existe
Mas nada cai do céu
Eu poderia falar da natureza
Mas eu sou urbano
E isso iria contra minha convivência
Eu poderia falar dos objetos que possuo
Mas o que tem etiqueta nunca terá o valor que atribuem
E o que há de mais verdadeiro não é palpável
Eu poderia até falar do tempo
Mas esse me deixou pra trás
E escorre entre dedos
Sendo tudo
Deixa de ser
Pois para ser tudo
Tem que ter você
E disso eu tenho verbos para falar
Eu poderia falar dos que tem fé
Mas essa tem múltiplas interpretações
E eu sou de um Deus só
Eu poderia falar das teorias
Mas eu erro todo dia por subestimar a prática
Eu poderia falar da paisagem
Mas já vi melhores
E pintei com mais cores
Eu poderia até falar das amizades
Mas essa eu reconheci no silêncio
E foram construídas nesse passo
Sem segredos
Sendo tudo
Deixa de ser
Pois para ser tudo
Tem que ter você
E disso eu tenho verbos para falar
Eu poderia falar do noticiário
Que não contempla nada de que eu possa me orgulhar
Mas a sujeira vai muito além das páginas que toquei
Eu poderia falar do crescimento do país
Mas a nação é enganada
E eu não jogo futebol
Eu poderia falar do meu emprego
Mas eu não sei se estou na profissão certa
E nem tenho espírito empreendedor
Eu poderia até falar dos ditados
Do senso comum
Mas o folclore perdeu sua inocência
Sendo tudo
Deixa de ser
Pois para ser tudo
Tem que ter você
E disso eu tenho verbos para falar
Bruna Rodrigues
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
Série - Cap. 2: Breve Ausência Para Namorico
Lembro de uma vez em que Leandro arrumou uma namoradinha, ela era tão magra quanto ele, eu sempre contava os ossos da costela dela quando ia entregar os bilhetinhos e presentinhos cortejantes que meu irmão mandava. Eles tinham a mesma idade só no papel, ele já percebia mais o mundo, enxergava mais longe. Ganhava na experiência também, havia beijado todas as vizinhas, porém com essa Mariana era diferente, ele prolongou mais, suspeito eu que o motivo era a curiosidade. Ele era curioso pela pureza dela e ela pela malícia dele.
Eu sempre quis saber o que ele falava para tirar tantos sorrisos daquela menina, devia existir estratégia naquilo, Leandro sempre traçou planos para tudo. Pensando bem, talvez não fosse o caso, parecia embalado de naturalidade e sem cartas na manga, definitivamente desarmado.
Os amigos percebiam a diferença, o seu fim de tarde já não era para empinar pipa, não eram mais os seus chinelos remendados que serviam como a trave do gol e nada de comparecer as reuniões do grupinho da rua, a liderança do grupo não interessava e ser capitão agora só do coração da Mariana. Sua ausência para os meninos era sinônimo de presença para a sua menina.
Os dois apaixonados de pouca idade esqueciam da hora, ela preocupava a mãe e ele se atrasava pro jantar. Caminhavam sem perceber quantos passos na areia deixavam para trás, as canelas só lembravam de doer à noitinha e então lembravam um do outro, das mãos dadas timidamente e das caminhadas sem destino que eram úteis para a coleção de conchas que estavam fazendo juntos, já compartilhavam muita coisa, pretendiam construir castelos de areia impecáveis e pescar peixes coloridos para nomear e exibir aos outros.
O que sei do término desse amor de infância é que Leandro voltou a liderar o grupo, a ser capitão do time e ter as pipas mais bonitas. As coleções foram pro lixo e Mariana demorou mais que Leandro para se aventurar em outro namoro.
Bruna Rodrigues
segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
Deixa de ser seu, passa a ser dos que sentem
Quando você faz uma música
E as pessoas começam a escutar repetidas vezes
E as pessoas começam a escutar repetidas vezes
Quando você escreve um texto
E ele passa a ser a filosofia de vida das pessoas
E ele passa a ser a filosofia de vida das pessoas
Você tem que saber que trabalha com a identificação
E a obra não é mais sua, passa a ser de quem se entregou a sentí-la
Bruna Rodrigues
Não é mais proibido, topa?
Quando você tem pouca idade tem que aceitar as proibições dos seus pais, e quando, enfim, chega sua aguardada liberdade tem que saber lidar com ela, ainda não é o paraíso. Se você cresceu o problema agora é maior do que não poder voltar tarde, é hora de aprender sobre responsabilidade e consequências, palavras compridas com significados complexos.
Bruna Rodrigues
Alto preço
Você é meu ORGULHO
A pessoa mais forte que eu conheço
É uma pena que pague tão caro por isso.
quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
Série - Cap. 1: Até para chorar é preciso de coragem
Tudo ficou do jeito que está quando meu pai não voltou mais. Era habitual as temporadas que ele ficava fora, pescador - como o pai de todos os meus amigos - ele partia para uma imensidão generosa e traiçoeira. Encarava os mistérios do mar com seu barco azul e branco, pequeno e adquirido com seu esforço e o do peixe que se perde pela boca. Dessa viagem ele não regressou e nunca ficou clara a razão que o levou a isso. Minha mãe que sempre rezou enquanto o esperava, procurou explicações, perguntou aos compadres, mas as pessoas daqui falam pouco, nada além de conversa de boteco. Ela então acabou por tirar suas conclusões de mulher abandonada.
Poderia ter reagido de muitas formas, se embriagar no boteco do Afonso ou se juntar com outro pescador, mas amava aquele homem mais que a si mesma, um erro grave. Optou pela reclusão, o batom vermelho entrou em desuso como qualquer alegria que um dia residiu em sua vida. Que vida?
A vida de mulher submissa, que fala baixo e é tida como inferior. E era feliz assim. Claro, nunca conheceu outra realidade, ingênua Ana Eliza, ela merece tanto. Nem que ela recusasse, mas deveria ter tido a chance de saber que existem outras formas de vida.
Quanto a mim fui forçado a amadurecer dez anos de uma vez, aguentei firme e procurei estar presente. Não sou seu único filho, aliás sou o mais novo, mais covarde. O mais velho, Leandro, foi embora antes da maioridade, não se dava bem com o nosso pai e também não é de admirar a natureza, não gosta de praia. Eu sempre o tive como herói e aprendi com ele algo valioso: questionar. Pratique o questionamento. Mas naquele momento, ao contrário disso, mamãe precisava de silêncio mesmo que por dentro estivesse em prantos. Ela precisava esperniar e não tinha coragem, minha vontade era dizer que ela podia gritar, eu tinha muito o que chorar também. Achei que ajudaria mais se me calasse, recolhi tudo o que ela tinha quebrado, ela até que achou muita coisa para quebrar, não sabia que tínhamos tanto assim.
Bruna Rodrigues
Misturados com o resto do saco ainda existem corações puros
É tão bonito de ver
Tão esperançoso de saber
Que ainda existem corações puros
Pega de susto e sobressalto
Um ato honesto e gentil
Assim a olho nu
Sem nem vanglórias por isto
Tão simples quanto incomum
Nessa cidade cinza
Pega de susto e sobressalto
Um ato honesto e gentil
Assim a olho nu
Sem nem vanglórias por isto
Tão simples quanto incomum
Nessa cidade cinza
Bruna Rodrigues
segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
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