sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Cada dia é sinal de uma nova chance

Eu estou torcendo que chegue o final
Que chegue ao fim
Esse dia que em nada contribuiu

O tempo que atrofiou
E eu disperdicei

Eu aceito
Fui infeliz hoje
Eu agradeço
Tenho a chance de fazer melhor amanhã

Não é rascunho, nem poderia amassar e jogar fora
É a virada de uma página, num silencioso branco

Estou abrindo mão
Desse inverno que nunca acaba
Aqui dentro
Mas há de ficar tudo bem

Eu aceito
Fui infeliz hoje
Eu agradeço
A chance é minha de fazer melhor amanhã

                                                                  
                                                                 Bruna Rodrigues

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

trecho do filme "The Holiday"

"Bom, o que estou tentando dizer é que eu entendo o que é se sentir a menor e a mais insignificante das criaturas do mundo e isso faz você sentir dores em lugares que nem sabia que existiam no corpo. Não importa quantos penteados novos você fizer, ou em quantas academias entrar, ou ainda quantas taças de frisante você tomar com as amigas, você ainda vai pra cama, toda noite, pensando em cada detalhe, imaginando o que fez de errado ou como pode ter interpretado mal, e como foi que por um breve momento você achou que podia ser tão feliz. Às vezes você consegue até se convencer de que ele num passe de mágica irá até à sua porta... E depois de tudo isso, demore o tempo que tenha que demorar, você vai para um lugar novo, vai conhecer pessoas novas que fazem você se valorizar e pedacinhos da sua alma vão finalmente voltar. E aquela época turva, aquele tempo ou a vida que você desperdiçou, tudo isso começa a se dissipar."

sábado, 11 de dezembro de 2010

O tempo cicatriza, não resolve

Depois de muita porrada ou depois de ter sido a pessoa mais feliz do mundo e perder isso, você vai descobrir que as pessoas, das bonitas até as psicóticas (não que sejam antônimas essas palavras), tem algo em comum: a  maneira cautelosa de reagir a vida. É porque a partir daí, você, assim como todos os outros, vai calcular como agir, falar e fazer as coisas, não que isso resolva. Essas cicatrizes retiram o que há de genuíno em nós
Bem ou mal, não quer dizer que você se tornará a vizinha amargurada ou o velho razinza da rua, é só que agora você também tem um ponto fraco. 

                                                                                 Bruna Rodrigues

sábado, 4 de dezembro de 2010

Capítulo IV

"Se dissermos ás pessoas grandes: Vi uma bela casa de tijolos cor-de-rosa, gerânios na janela, pombas no telhado... elas não conseguem, de modo nenhum, fazer uma idéia da casa. É preciso dizer-lhes: Vi uma casa de seiscentos contos. Então elas exclamam: Que beleza!"

(O Pequeno Príncipe, Antoine de Saint-Exupéry) 

 

terça-feira, 30 de novembro de 2010

O que se encontra atrás da capa

Ela tem tudo que o dinheiro pode dar
E se senti sozinha com pessoas ao redor
Fingi sorrisos durante toda a noite
Sua máscara começa a pesar
Os holofotes a cegam

Desconta os traumas em ousadia
Garante uma platéia de alienados
Que fantasiam perfeição
Mas ela está abaixo de qualquer suspeita
Eles nunca vão saber

Tem desenvoltura com o falso
Mas percebeu que quer pessoas de carne e osso
As quais nunca quis se relacionar
Quando apareceu nem retribuiu
Até quando vai repelir a realidade?

Ninguém te conhece, a quem você vai recorrer?
Sua esperança em farelos
Na inutilidade que segue seu desfile
Não suporta mais o vazio que carrega
É preciso da verdade na vida

                                                                       Bruna Rodrigues

sábado, 27 de novembro de 2010

Pouca luz, olhos e minutos

  Como tantas vezes fiz, me deu vontade de entrar no seu quarto sem bater, deitar do seu lado e te perguntar como você consegue assistir canais de compra. Aquele quarto que é onde você se isola depois de todo um dia em que se manteve forte para o nosso bem. Só a luz da TV, chinelos no tapete, vestida com robe e de feição séria. Sem pestanejar eu olhava aquele rosto de pele seca, pouca sobrancelha e olhos de quem está longe. Eram aqueles minutos que eu te admirava que valiam por todos os dias da semana que a pressa me impediu de te tocar. A geografia já não me permite ter esses minutos, basta a certeza de que você está bem. É vital saber disso quando se trata da pessoa mais importante da minha vida e da mais incrível que eu conheço.

                                                                                 Bruna Rodrigues

#tira 3 - Garfield

#tira 2 - Mafalda

#tira 1 - Calvin&Haroldo

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Comemoração 25 Anos de Calvin&Haroldo



  São 25 anos de Calvin&Haroldo, criação do americano Bill Watterson, e eu como fã não poderia deixar passar em branco.
  Através do desenho e de poucas palavras esse universo se apresenta inteligente, transgressor, e claro, divertido. É a ironia e a crítica social que também aparecem na minha HQ preferida , a Mafalda de Quino, esses cartunistas usam da “ingenuidade” dos personagens de pouca idade para desafiar os equívocos do mundo adulto.
  Nos próximos posts mais Calvin&Haroldo e outros cartunistas de qualidade para nosso deleite. Abaixo primeira tirinha publicada da dupla!



                                                                                                     Bruna Rodrigues

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Último fôlego de um pulsar dilacerado

  Desde então fiquei em desvantagem, numa insensatez de dar dó eu me sentia criança precisando de colo e apelando por afago. Orgulho que bem pouco um dia tive, nesse tempo já tinha perdido, prazer era servir de tapete e ser carrasco por completo. Viam-me como inferiorizada, tentavam inutilmente me alertar de um coma que eu não sairia ilesa, mas que não era capaz de me dar conta por conselhos alheios, desse devaneio eu só sairia por vontade própria, não sem arranhões. Foi inteiro, mente e corpo, sem peneira no sol e nem tela de proteção, deixei ir ladeira abaixo sem freios. Eu me arrisquei e pago agora cada passo em falso que dei. Bem melhor seria se pudéssemos passar por essa vida sem processos dilaceradores, contudo, de que vale uma vida que não se tira lições?
  É preciso calejar. Sem facilidades demais, eu quero sentir o doce e o amargo de estar viva.
                    
                                                                           Bruna Rodrigues

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Inversão - Onde está o teto? Onde está o chão?

O mundo anda tão solitário
E eu não sei a hora certa de parar
O mundo anda tão indiferente
Respeito virou medida de educação
Amor entrou em extinção
Levando consigo a lealdade
O mundo anda tão instantâneo
Desde o macarrão até as relações
Contudo, não acreditamos na nossa espécie
Optamos viver falando com objetos inertes
Percebendo essa inversão
Tirou dos olhos o cifrão
E distinguiu o que era verdade
Enlatados, embrulhados
Sem rumo e sem razão
Induzido pelo erro
Caminhando na contramão
Por motivos para não viver em paz

Bruna Rodrigues


segunda-feira, 1 de novembro de 2010

São fases da vida e da lua

 
  Nesse final de semana assisti alguns filmes;
  O primeiro: atores de peso para segurar a falta de qualidade do filme, que era confuso e desprovido de cenas que causassem algum tipo de emoção.
  Segundo: um típico “sessão da tarde”, atores bonitos e muito clichê, com roteiro previsível e mocinha com doença fatal.
  Terceiro: comédia que cumpriu sua missão de garantir muitas risadas e que me chamou a atenção pela protagonista amar sua profissão, amar o que se faz tem a vantagem de se divertir ao fazer.
  O quarto e último filme é o que me trouxe até aqui, se chama “As Melhores Coisas do Mundo” embalado por Something dos Beatles e dirigido por Laís Bodanzky (O Bicho de Sete Cabeças), a temática é a adolescência que é tão debatida e rotulada: juventude perdida, aborrecentes, rebelde sem causa e etc. Com isso, poderia ser mais uma tentativa estereotipada de contar a história, mas NÃO é. Contrariando o que podia se esperar, o filme traz intimidade com o assunto, é o cotidiano, a linguagem e o universo da minha geração, demonstrando que houve muita pesquisa (confira também o making of) e real interesse em retratar o que é a vida do adolescente e não o que rotulam ser.
  Muito se deve a essa preocupação dos criadores, o filme me atingiu e foi mais do que entretenimento. Eu pude me ver, tanto que passei o resto da madrugada me questionando: quem sou eu?
  Mas, quem sou eu de verdade, e não quem eu quero que eu seja.
  Confesso, antes de chegar à adolescência eu achei que era mais fácil, aliás, olhar de fora sempre vai ser impreciso por mais perto que você chegue. Os rótulos são apenas rótulos porque foram criados por quem estava de fora, definir a fase da adolescência é inútil, mas instabilidade eu diria que é o começo da definição.
  Eu me sinto como uma balança que sempre pende de súbito para um lado ou para o outro; de total êxtase para total fracasso, sem meio termo. E  o tempo me mostrou que os excessos pecam. Nós somos um misto, somos paradoxos. Sem santas sem diabos, temos lado bom e mau, qualidades e defeitos, vícios e virtudes, o equilíbrio é necessário.
  Quem sou eu?
  Além das besteiras que como, da acne que tenho, das gírias que falo, do cabelo que uso, das roupas que escolho, das bandas que escuto, do grupo que faço parte.
  Insegurança seria outra coluna da definição, ás vezes me sinto tão integrante e outras tão exclusa. A gente precisa se sentir parte do mundo, útil pro mundo.
  Há no filme mais de uma fase da adolescência, temos a fase dos 15 anos que é do protagonista Mano (Francisco Miguez) e a de seu irmão Pedro (Fiuk) de 17 anos. Eu me convenci que a adolescência é um tópico com subtópicos que são as idades, é como se eu tivesse tido a adolescência dos 15 anos que foi diferente dos 16 e que é totalmente diferente aos 17. A idade muda e não são só velas para apagar, mudam os problemas e o modo de encarar a vida, as situações, as pessoas e de como encarar a si próprio; tudo isso em cerca de um ano, é tudo muito rápido.
  Entre outras coisas, o personagem Pedro de 17 anos me chama muita atenção, ele mostra meu lado melancólico, dependente dos outros, intenso e poético. No decorrer do filme ele escreve em seu blog “Girassóis no Escuro” passagens belas e intimistas, e sua vida é salva quando deixa a entender em um post que tentará suicídio.
  O que estou discutindo aqui, eu sei, são questionamentos a serem carregados filosoficamente pela vida inteira, independente da faixa etária, mas pense nisso mil vezes intensificado e em pessoas que estão em processo de formação de personalidade, caráter e tudo mais que seria o alicerce para manter a integridade perante essas buscas, o que justifica ser mais dramático.
  Nós temos mania de esperar do mais provável, mas ás vezes, é uma frase pichada no muro, uma conversa que você não ia ouvir até o final, um papel que você não ia pegar, uma página que você ia pular que muda o seu dia. O relevante é como se olha e não o que se olha. É importante dar atenção ao que merece, esse ano pude perceber que é preciso ter prioridades na vida.
  Isso tudo é matéria para várias madrugadas, anos e posts, sendo assim, é um texto em constante complemento.

                                                                                   Bruna Rodrigues

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Exercício

  Existem os que se irritam ao serem questionados, é o medo ou a preguiça de se conhecerem. Ora, para responder ao outro é necessário chegar antes a sua própria conclusão. Sem o costume de pensar para responder, eles acham mais fácil desistir no meio do caminho do que refletir por um minuto. É um esforço que não estão dispostos a fazer. Mas só é esforço por falta de prática. Prática para alcançar. Prática para o desconcentrado na leitura. Prática para o iniciante no violão. Prática para melhorar a escrita. Prática tem finalidade. É a tentativa, de novo e de novo que traz habilidade, é e não tem como fugir. Exercer o exercício.

  

                                                                                 Bruna Rodrigues

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

De: si Para: si mesma

  Quando estamos a sós - eu e minha consciência - estabeleço limites, faço competições comigo mesma, revejo aquelas metas que me propus mentalmente a fazer e fiz, ás vezes também me enrolo, invento desculpas e "me puxo a orelha”: que isso não se repita, Bruna. É, acontece até de falar em terceira pessoa, quase um Pelé.
  Culpando a conturbação que é viver no século XXI, esses momentos de se escutar são raros, no meu caso só acontecem quando me deito para dormir, surgem espontâneos e conclusivos. Olhar para dentro, quando o filme do dia inteiro passa pela cabeça e é hora de reciclagem, eu aproveito a lucidez do momento como limpeza de gaveta: separar o bom do ruim, jogar fora o que não serve, organizar o que é útil para canalizar na direção certa. Desculpem as metáforas, mas ninguém pode pausar o tempo, rebobinar e corrigir o que já foi feito, o nosso filme não tem edição. Contudo, temos o presente como a oportunidade de reverter erros para que a continuidade seja melhor que o passado.
  Um pouco mais de tempo para nós, digo, muito mais. Mais reflexões, retiros. Contemplações que não são feitas. É o que seria necessário para seres mais esclarecidos, menos volúveis a ideologias enlatadas, menos reféns do sistema, aquele auto-conhecimento que a leitura de Clarice Lispector nos propõe. Mas pena que já é hora de dormir.
                                     
                                                                                 Bruna Rodrigues
 

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

A vírgula é a sequência

  Eu não quero a obrigação de apresentar fatos. Eu abro a questionamentos, não tenho habilidade com o exato. O inquestionável dá fim ao assunto e eu não quero decorar ideologias quando o tempo é progressivamente inconstante, a mudança é a regra e o ritmo é ser mutável.
  A única precisão é esse momento, é nele que me toma a inquietação: nesse instante há pessoas com motivos para sorrir, gritar e lastimar. E agora, existem diversas situações divididas por esse território, esse oceano e a parede, que delimita o meu espaço e o do vizinho. Ou não, ás vezes no mesmo corredor, na mesma enfermaria há quem nasça e quem morra, o profissional que salva e o que nada mais lhe cabe fazer. Essa simultaneidade ainda me impressiona.
  Dessa vida mutável e simultânea eu me deparo, como todo ser, com o benéfico e o maléfico, a minha construção e melhora está na minha escolha em absorver do que quer que seja o melhor, aproveitável para minha edificação, me permito perceber mais que o óbvio, porque a negatividade é óbvia, aí aparece o que considero a minha esperança, tomar novamente o fôlego. E não há conclusão, a vírgula é a seqüência, o horizonte é ininterrupto para quem consegue enxergar.

                                                                                Bruna Rodrigues

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Idealização de outras gerações

  A revista Veja disponibiliza um acervo de suas publicações em seu site, um conteúdo vasto para ser explorado. Decorrer pelo tempo e pelo conteúdo da revista.
  É na Edição Especial Jovens do ano de 2004 que enfoco um artigo de Serginho Groisman intitulado "Saudade para quê?" sobre a nostalgia dos jovens que é tão decorrente mas que muitas vezes pode ser apenas uma visão romântica perante as gerações passadas, deixo abaixo o artigo plausível digno de sua leitura.

"Existem jovens que sentem nostalgia por não ter sido jovens em gerações passadas. Saudade do enfrentamento com os militares dos anos 70, da organização estudantil nas ruas, do sonho socialista-comunista-anarquista-marxista-leninista. Ter saudade da ditadura é ter saudade de conhecer a tortura, o medo, a falta de liberdade e a morte. Ser jovem naquela época era coexistir com a morte, ver os amigos ser tirados das salas de aula para o pau-de-arara, para o choque elétrico, para as humilhações. Da mesma forma, quem sente nostalgia dos anos 80 se esquece do dogmatismo limitante das tribos daqueles tempos, fossem punks, góticos ou metaleiros. Hoje, é a vez dos mauricinhos-patricinhas-cybermanos-junkies, das raves, do crack, da segurança dos shoppings e do Beira- Mar. Um cenário que pode parecer aborrecido ou irritante para muita gente que tem uma visão romântica de outras décadas. Mas nada melhor que a liberdade que temos hoje para saber qual é a real de uma juventude e de uma sociedade. Hoje, a juventude é mais tolerante com as diferenças. Hoje, existem ferramentas melhores para a pesquisa e a diversão. Hoje, a participação em ONGs é grande e isso mostra um país que trabalha, apesar do Estado burocrático. O país está melhor. Falta muito, mas o olhar está mais atento, e até o sexo está mais seguro. Não temos hinos mobilizadores, mas nem precisamos deles.
O jovem de hoje não precisa mais lutar pelo fim da tortura ou por eleições diretas, pois outras gerações já fizeram isso. Se o país necessitar, é verdade, lá estarão eles de cara limpa, pintada, o que for. Mas é bobagem achar, como pensam os nostálgicos, que tudo já foi feito. Há muito por realizar pelo país. Seria bom, por exemplo, se a juventude participasse de forma mais efetiva na luta pela educação e pela leitura. Sim, porque lemos pouco, muito pouco. Ler mais vai fazer a diferença. Transformar a chatice da obrigação de ler Machado de Assis no prazer absoluto de ler Machado de Assis. Repensar a escola também é fundamental. Dar ao aluno mais responsabilidade pelo próprio destino e a chance de se auto-avaliar e avaliar seus professores. Reformular o sistema de avaliação e transformar a escola numa atividade de prazer: trazer para dentro dos colégios os temas da atualidade, além de transformar numa atividade doce o trinômio física-química-biologia.
Vivemos num país que mistura desdentados com marombados, famintos com bad boys, motins em prisões com raves na Amazônia, malabares nos cruzamentos com gatinhas tatuadas, crianças com 15 anos na Febem e outras com 15 na Disney. É Macunaíma dando passagem aos tropicalistas, numa maçaroca que é o samba-enredo chamado Brasil. É um país com muitas diferenças – e acabar com elas é papel dos jovens. A juventude deve, acima de tudo, saber desconfiar das verdades absolutas. Desconfiar sempre é ser curioso, pesquisador, renovador, transgressor. Seja intransigente na transgressão. Sempre diga não ao não – e desafine o coro dos contentes."

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Viagem rumo ao Oriente

  Outras culturas, outras línguas me chamam atenção. Olhar outro povo com suas universalidades e seus exotismos é expandir a nossa concepção sobre o ser humano e sobre nossa vida, nossas opções de vida. E foi com curiosidade que me diverti ao ler “Abc do Mundo Árabe”, livro da literatura infanto-juvenil escrito por Paulo Daniel Farah professor da USP onde dirige o Centro de Estudos Árabes, as ilustrações ficaram a cargo de Alê Abreu e são magníficas, fiquei contemplando por um bom tempo.
  O livro avança de acordo com nosso alfabeto, utilizando cada letra para descrever algum elemento do mundo árabe, começa pelo A com o conceito de árabe e vai indo até o Z, com assuntos primordiais como religião, países, culinária, petróleo, animais e etc, o que foi me inteirando dessa cultura oriental tão rica. Com isso, foi muito interessante mesmo o livro sendo destinado para leitores de faixa etária inferior a minha, sendo como uma apresentação de primeira qualidade a esse universo que eu pouco conhecia.

  Pesquisando aqui na internet tive uma agradável surpresa ao ver que a mesma editora desse livro, SM, também lançou “Abc do Mundo Africano” e “Abc do Mundo Judaico”, e trago aqui do site da livraria Grafipel dois fragmentos do prefácio do “Abc Mundo Judaico” escrito pelo bibliófilo José Mindlin, vejam:

“Este ABC vai mostrar a vocês a tradição de um povo que tem perto de 6 mil anos e de uma religião com a mesma idade. Nesse tempo foi-se desenvolvendo uma cultura bastante variada, que se apóia no gosto pelos livros e pela leitura. Fala-se até dos judeus como o "povo do livro""


"Depois de ler este livro, leia também o ABC do mundo árabe. Na briga entre judeus e árabes da Palestina, os dois têm razão e os dois estão errados, brigando como agora. Espero que, após a leitura, vocês percebam o que está errado e se convençam de que todos os povos do mundo devem viver em paz."

  Aproveito a deixa, paz pro mundo! السلام في العالم


                                                                       Bruna Rodrigues

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Como não falar da Cássia Eller?

  Não é suficiente. É o que adianto para o leitor, pois nada que eu fale será suficiente. É a Cássia, a “voz de fogo” como intitula um livro que conta a trajetória da cantora.
  A genialidade de Cássia Eller me atinge em cheio, por sua voz indescritível com seu repertório rico (muito rico, Renato Russo, Chico Buarque, Jimi Hendrix, Rita Lee e outros) e sua atitude rock n’ roll, a cantora que tirava a blusa e “coçava o saco” no palco era tímida, como mostra numa rara entrevista dada a Leda Nagle (programa Sem Censura), e rara mesmo, pois a própria conta que “não gosto de vender a cara, gosto só de fazer show”, o que mostra a arte no seu sentido verdadeiro da palavra, Cássia não é comercial, e o desprendimento no palco vem do se sentir em casa por fazer o que gosta., e não por marketing como muitos que vemos. A cantora vista fora do cenário profissional continua a inspirar admiração, mostra inteligência, personalidade e modéstia.
  Foi 2001 - ano de seu falecimento - o mais produtivo de sua carreira em que lançou seu Acústico Mtv venerado por todos nós, participou do Rock in Rio, lotou como nunca os shows, tocou como nunca nas rádios. É muito inquietante saber que a Cássia Eller planejava um novo cd e falava com compositores, já que não exteriorizava as suas composições. Imaginem as próximas parcerias com Nando Reis e tudo mais?
  Enfim, eternizou porque ela é fera, bixo, anjo e mulher!  
 

"Sou mulher, sou pobre, sapatão, mãe solteira, preencho todas as lacunas. Tem de saber lidar com o preconceito" (Maio de 2001)
"Acho ótimo a pirataria, acho 'o bicho'. O cara não tem dinheiro, nem nada. Vai ficar sem ouvir música?" (Maio de 2001)
"O que mais me preocupo na educação de meu filho é ensiná-lo a respeitar as coisas" (Maio de 2001)
"Sou a favor de toda música espontânea, que não foi criada por gravadoras", diz Cássia, apoiando o funk carioca (Maio de 2001)


                                                                        Bruna Rodrigues 

domingo, 15 de agosto de 2010

Nasceu com a bunda virada para lua

  Começar o segundo post tem um pouco de “síndrome do segundo disco”, é a expectativa de dar sequência mas sem o ineditismo, é ver se o replay vale a tentativa.
  Mas seguindo ao inevitável, venho a questionar: sorte existe?
  Assisti mais uma vez um filme que gosto muito chamado “Match Point – Ponto Final”, o drama do ano de 2005 é dirigido e escrito pelo mestre Woody Allen e estrelado com maestria por Scarlett Johansson e o irlandês Jonathan Rhys Meyers, a base da história é a influência da sorte em nosso destino o que é evidenciado desde a primeira frase do filme: "O homem que afirmou que é mais importante ter sorte que trabalhar duro entendeu o sentido da vida". Por ser um excelente filme, além da sorte que é o lema principal, cabem também discussões sobre diversos outros assuntos como ascensão social, ambição, traição e referência ao clássico "Crime e Castigo" de Dostoiévski. É um dos meus filmes prediletos e com uma das minhas atrizes prediletas (Scarlett Johansson).

  Outro filme que faz alusão sobre o tema - só que de uma maneira lúdica - é “Just My Luck - Sorte no amor” uma comédia de 2006 dirigida por Donald Petrie e protagonizada por Lindsay Lohan que é a sortuda e Chris Pine o azarado, depois que os dois se beijam isso é invertido e os personagens têm suas vidas totalmente modificadas pela sorte e o azar.
  Eu acho superstição bobagem mas não passo embaixo de escada, não dou minha mão pra ninguém ler mas também não tenho coragem de ouvir, vai saber né?
  Já ouvi gente vivida dizendo que tudo na vida é sorte, isso só me ocorre à cabeça quando vejo ator de teatro multitalentoso que não tem nem metade do reconhecimento do público que  tal ex modelo de novela tem, ou aquela cantora que compõe e é instrumentista que vende menos do que aquela outra que tem refrões enjoativos.
  Quando se vai ficando muito racional é bom lembrar que a vida não é de toda explicada, que a teoria perde para prática. Percebi que ás vezes nos acomodamos achando que a vida é óbvia, mas ela sempre surpreende. E então se faz tão sábia a famosa frase “Deus escreve certo por linhas tortas”.
  Creio que oportunidades são importantes, mas antes de tudo elas são criadas por nós mesmos e sabermos utilizá-las na hora e de forma certa é a chave.
  Termino como comecei, deixo a cargo do leitor responder: sorte existe? 


                                                                          Bruna Rodrigues

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Começando pelo começo

  Eu fico tão feliz quando alguém que tem realmente algo a dizer cria um blog, porque hoje os criadores de blog na sua grande maioria não são os que tem algo a acrescentar mas sim aqueles que tem  tempo de sobra, disposição e paciência para manter esse diário virtual. É a parte negativa – se existir parte negativa – da inclusão digital.
  Normalmente, quem cria uma página como essa é aquela pessoa que está presente em todas as redes sociais e variações (orkut, twitter, facebook, fotolog, formspring e etc), e eu não estou inclusa nessa realidade, eu sempre sou a última a criar perfil em rede social e, até pouco tempo atrás, achava entediavelmente(?) inútil porque eu só tinha visitado twitters que não saiam do “contar como foi seu dia” e eu ficava me perguntando por qual razão era legal falar que estava almoçando, que ia dormir ou aquelas páginas igualmente chatas que só divulgam coisas, e essa minha impressão mudou depois que eu comecei a ler twitters interessantes que davam opiniões, que tinham citações relevantes. Com os blogs foi semelhante, comecei a descobrir blogueiros que tinham dicas a dar, que falavam de arte e o blog tinha uma aparência agradável para uma boa leitura, por mais curtos que os textos da internet tenham que ser até que estrategicamente para atrair o internauta.
  E ultimamente tem me dado uma súbita vontade de criar um blog no intuito de mostrar ao outro o que eu tenho a dizer, mais um motivo é não achar blogs descentes para ler. Por mais que eu sempre tenha tido a necessidade de escrever (no papel) eu nunca quis um blog por razõe que são, por exemplo, não me matar com divulgação de blog ou de qualquer outra coisa, no máximo vou colocar o link no meu perfil pessoal e comentar com alguns amigos, e o mais assustador (para mim) que é o fato de ter que atualizar sempre, logo eu que mal atualizo os meus perfis pessoais, aliás no meu orkut tenho uma comunidade chamada “Escritores que não escrevem”, eu acabo de me desclassificar da mesma.
  Essa continuidade de ter que atualizar sempre faz soar aos meus ouvidos como obrigação, e obrigação é a coisa que mais me pira no mundo (isso será comentado em outros posts). Mas então, o que me faz criar um blog agora? E pior, em ano de vestibular?
  É que eu sou muito curiosa, mergulho em pesquisas intermináveis e acaba que descubro algo novo todos os dias, e me dá meio que uma vontade de compartilhar, um sentimento de colocar para  fora. E é empolgante postar o que eu procuro em outros blogs e não acho, ás vezes a leitura de um blog fica sendo apenas um exercício mental de corrigir erros ortográficos do texto de alguém, que a gente tenta de um modo otimista achar que foi erro de digitação.

                                                                             Bruna Rodrigues